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Com Cristo entremos na Jerusalém celeste...



By  Juventude Franciscana JUFRA) do Brasil     09:50     

Fico a imaginar as indagações dos poderosos daquela época acerca de Jesus e sua entrada triunfante em Jerusalém, ou ainda, os burburinhos que corriam à meia boca por entre becos e vielas da cidade santa. A Páscoa chegando, a cidade se enchendo de gente e mais gente, famílias e mais famílias. O que será que falavam o povo sobre um certo Jesus, o nazareno? Teria sido cedo da manhã? Por volta do meio dia? No fim de tarde? Será que o jumento tinha ideia da carga inestimável que ele levava em seu lombo? E a emoção? Os gritos ao ver o mestre que todos falavam? Será que ele acenava? Beijava crianças? Tenho uma certeza. Ele ria muito, afinal de contas, qual pastor não se alegra entre suas ovelhas? E mais ainda, elas todas vindo ao seu encontro. – Jesus! Jesus! – Rabi! – Cristo! – Hosana, hosana! – Viva o rei! – Bendito o que vem em nome do Senhor!

E voltando aos poderosos da época... eles viam uma figura de um rei desprovido de adornos e vaidades mundanas. Numa cena dissonante do que se esperaria de um rei. Eis que com todo seu poder entra, ele, triunfante no lombo de um jumentinho. Mas quem é esse rei? A caso quer ele com esse espetáculo simplório e tosco, diriam eles, debochar das monarquias da terra? – É louco? Se deixa tocar pela plebe com seus ramos agitados? Que reino é o seu? Como pode ser grande com tão insignificante demonstração de poder?

Ao ser indagado por Pilatos sobre ser rei, Jesus responde que seu reino não é desse mundo (Jo 18, 36). Partimos daí com a melhor pista para compreender aquilo que nossos olhos humanos não compreendem. O seu reino não é visível neste mundo, pois não é deste mundo e nada que tenhamos por ideia do que seja um rei ou reino torna tangível a ideia do reino de Cristo.

Torna-se impossível compreender tal reino com os olhos desse mundo. Esse rei nasceu pobre nas palhas, entre os animais (Lc 2, 7). Abandonado deste mundo, pois não tinha lugar para recostar sua cabeça (Mt 8, 20). Filho de uma mãe pobre e um pai carpinteiro numa situação no mínimo controversa e confusa para sua época, até mesmo para nossa. Batizado no deserto, por João, começou seu projeto juntando 12 homens, os mais desconexos e inapetentes discípulos, diriam qualquer profeta de sua época com seus seguidores. Do seu grupo de doze, boa parte eram analfabetos, um ex. cobrador de impostos, um jovem demais, outro velho demais e para sua sorte, ainda, entre os seus havia um traidor...

Ele anunciou a boa nova, mas não falava aos poderosos desse mundo, muito pelo contrário, em suas parábolas, falava de coisas simples, sem rebuscamento de palavras, sem filosofias complexas, falava do campo, da terra, falava de coisas vulgares para os poderosos, porém claro como o dia para os pobres. Não se escondera nos palácios e seu trono era nas pedras onde sentava para ensinar de seu Pai. Não tinha um exército, não exercia seu poder pela força, mas pela autoridade de seu nome fazia prodígios. O imposto que esse rei cobrava era o amor pelo próximo (Mc 12, 31) e a compreensão e oração pelos inimigos. Ofereça a outra face, dizia o rei num discurso, (Mt 5, 38-44) noutro dizia: - Perdoa setenta vezes sete (Mt 18, 21s)....

Ao entrar em Jerusalém esse rei completa os passos finais para a sua maior glória na terra. Ele será elevado ao alto e no topo desse mundo será crucificado. O destino programado para esse rei, que já era por ele conhecido e aceito desde a eternidade, era a humilhação e morte no madeiro da cruz. A grandeza desse rei, que os olhos do mundo não enxergaram, está em sua obediência e fidelidade ao projeto de quem o enviou. Fiel até a morte e morte de cruz. Entrar com Cristo em Jerusalém é estar disposto a ir para além da alegria dos ramos, para além da participação da ceia. É preciso ir com ele até a cruz. E com ele, também, de nossas cruzes entregar ao pai, num grito, o nosso espírito. Esperar com ele na mansão dos mortos e com ele ressuscitar para a Páscoa eterna. Para entrar com ele na Jerusalém celeste o caminho passa pela cruz. 

José Carlos Costa Santos
Secretário Regional de AE e DHJUPIC - PB/RN (NE A3)
Psicanalista

Sobre Juventude Franciscana JUFRA) do Brasil

A Juventude Franciscana (JUFRA) é uma proposta de vivência cristã destinada a jovens que, por vocação, carisma ou índole, se comprometem com o ideal de vida inspirado na espiritualidade franciscana A JUFRA é, ou deve ser, um monte de gente nesse mundão a fora, que tomou consciência de que: primeiro, deve esforçar-se para melhorar o mundo; segundo, que a melhora do mundo começa a partir de si mesmo; e que é preciso no mundo uma escola que ajude as pessoas a tomarem consciência disso. (Essa escola é a própria JUFRA) A JUFRA tem estilo e características próprias. Por isso nessa fraternidade de jovens, os jufristas assumem todos os deveres e, por conseguinte, gozam de todos os direitos inerentes ao compromisso franciscano de vida secular Segundo o Estatuto da JUFRA do Brasil, ela é uma associação civil com caráter e objetivos dentro exclusivamente dos campos Religioso, Educacional e Social.

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